sexta-feira , setembro 21 2018

Tenha consciência do impacto do seu negócio para ser realmente sustentável

Cofundador e CEO do Grupo Reserva, Rony Meisler, acredita que é importante ser responsável pelos impactos na natureza

Para Rony Meisler, cofundador e CEO do Grupo Reserva, é preciso ser um amigo antes de ser uma marca. O empreendedor afirma que a missão da empresa é viver para cuidar do relacionamento com todos as partes interessadas.

Hoje, o grupo de moda conta com oito marcas, 38 pontos de venda, 1.500 multimarcas clientes e emprega mais de 500 pessoas diretamente. Formado em Engenharia de Produção, Meisler está presente no evento Sustainable Brands, que acontece no Rio de Janeiro de 25 a 27 de agosto, para falar sobre como inovar em sustentabilidade.

Nesta entrevista ao Caminhos para o Futuro, o empreendedor conta que empresas realmente inovadoras têm a sustentabilidade em seu DNA e sobre os projetos sociais que o Grupo Reserva ampara.

O que é preciso para ser uma empresa sustentável hoje?

Ser consciente do impacto do seu negócio. Não só na vida dos seus clientes, mas também na sua cadeia de fornecedores, na sociedade e no meio ambiente. Ser responsável financeiramente é tão importante quanto tentar diminuir os impactos na natureza, uma vez que somos responsáveis por mais de 600 empregos diretos e 2500 indiretos.

Nosso foco é no fair trade, sempre buscando materiais de baixo impacto na natureza como pet, bambu, algodão orgânico. Além de parcerias com cooperativas e uma forte aposta no produto nacional. Outra iniciativa que tomamos foi o início de uma auditoria em toda nossa cadeia produtiva para garantirmos que todos os nossos parceiros sigam os preceitos nos quais acreditamos.

Também temos linhas de produtos com renda revertida para dezenas de ONGs e instituições voltadas para iniciativas socioambientais que já receberam mais de R$ 250 mil do Grupo Reserva diretamente e R$ 2 milhões indiretamente.

Quais são as principais dificuldades para uma empresa ter uma cadeia de fornecimento sustentável?

Uma das principais dificuldades é o monitoramento, que é um problema mundial. São muitos fornecedores e, mesmo com normas, regras, códigos de ética, é difícil controlar porque não tem como monitorar a todo instante. Para enfrentar isso, investimos e optamos por um processo de aproximação, além de criarmos um termo de compromisso com pontos a serem respeitados pelos fornecedores. Visitamos e monitoramos, mas não queremos dizer “passou” ou “não passou”, cortando definitivamente o fornecedor que não quer cooperar. Quem está disposto a melhorar, nós ajudamos, dentro do nosso alcance.

Rebeldes com Causa e EcoModa são alguns projetos da Reserva. Poderia explicar como surgiram?

Grande parte das nossas ações é focada na questão social. O projeto Reserva Rebeldes com Causa nasceu da vontade de amplificar o trabalho de uma geração de empreendedores sociais que vem realizando coisas incríveis e que ainda é desconhecido do grande público.  Entendemos que não somos uma Fundação — somos uma empresa com um objetivo comercial –, mas também entendemos que temos um forte poder de influência no comportamento de consumo do brasileiro. Então usamos nossas plataformas de comunicação para falar sobre o que, para nós, deveria ser tendência. E também realizamos ações em conjunto com os “rebeldes” e criamos ações de reversão de verba para eles.

Antigamente, as peças defeituosas reprovadas no nosso controle de qualidade eram incineradas. E isso nos incomodava porque queríamos dar um destino ambientalmente e socialmente melhor, mas não podíamos doar as roupas com defeito a bazares beneficentes. Depois de algumas pesquisas encontramos o projeto Ecomoda, da Secretaria de Ambiente do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Uma escola de moda sustentável na comunidade da Mangueira para onde passamos a doar essas peças. Já foram mais de 20 mil peças que, em vez de serem queimadas, passaram a ajudar na capacitação de pessoas.

Como inovar no mundo dos negócios? Poderia contar um exemplo de uma prática inovadora que foi implantada na Reserva?

Acho que o selo AR é um ótimo exemplo. Um dos maiores problemas das ONGs é a dependência financeira nas doações, eles precisam passar o chapéu. Entendendo isso, criamos um selo, toda sua identidade visual e a lógica de licenciamento e doamos ao AfroReggae. Poderíamos ter simplesmente doado dinheiro ou feito uma ação pontual. Mas criamos esse mecanismo que permitiu que o AfroReggae licenciasse sua marca para diversas empresas e gerasse receita. Isso é importante, pois não é uma doação que a empresa faz. Ela passa a ter um produto bacana no seu portfólio que gera lucro e, a partir daí, paga um royalty para o AfroReggae, que gera receita para a ONG. Fomos também a primeira empresa a licenciar e hoje já existe uma dezena de outras que geram aproximadamente R$ 2 milhões por ano ao AfroReggae.

Quais empresas você considera inovadoras e admira? Por quê?

A Patagônia e a Whole Foods Market. São empresas que têm sustentabilidade no DNA. Não é uma matéria separada. Faz parte do dia a dia de todos os departamentos. E isso aparece na experiência que, tanto os funcionários quanto os clientes, têm com essas marcas. Sou um curioso patológico, leitor compulsivo e fiquei muito impressionado com o que li sobre esses caras.

Sobre a Sustainable Brands

A Sustainable Brands é uma rede global de conferências e tem como objetivo mobilizar empresas por meio de casos concretos de inovação. As conferências acontecem em vários lugares como Londres, Barcelona, Kuala Lumpur e reúnem especialistas, palestrantes e líderes de empresariais.

No Brasil, a Sustainable Brands Rio 2015 acontece de 25 a 27 de agosto, no Rio de Janeiro. O tema global é o conceito “How Now”: como a inovação em sustentabilidade está transformando os negócios agora.

Aqui, o evento é organizado pela Report Sustentabilidade, em parceria com a Sustainable Life Media e uma rede de apoiadores e patrocinadores no Brasil e no exterior.

Fonte: Época Negócios

Comentários

comentários

Tente de novo

Música De Marília Mendonça Vira Caso De Polícia

A cantora Marília Mendonça acaba de se envolver em uma confusão judicial. A diva da sofrência estaria ...