Técnico do Audax esnoba assédio e diz ser alvo de clube do Brasileirão

Fernando Diniz afirma ter sido procurado por clube da elite, mas não revela qual. Sobre interesse em seus jogadores, ele acredita na maturidade da equipe

Agenda lotada, entrevistas, elogios… Fernando Diniz está passando por um momento “celebridade”. Responsável pela maneira inovadora de jogar do Audax, clube sensação e finalista do Paulistão, o treinador está colhendo os frutos de um trabalho que vem implantando há três anos no clube de Osasco.

Após eliminar São Paulo e Corinthians, Diniz comandará o Audax nas finais do Paulistão, contra o Santos. A primeira decisão será no próximo domingo, às 16h, no José Liberatti. Até lá, muito trabalho e, certamente, menos momentos de fama.

– Tirei essa segunda para falar com a imprensa. Depois, é só trabalhar. Dois jogos muito difíceis. Vamos pegar, junto com o Corinthians, a melhor equipe do Brasil. O ataque certamente mais poderoso, com jogadores criativos. É um time muito bem treinado. É um futebol que encanta muito – diz o treinador.

O assédio a Diniz não é somente fora de campo. O treinador revela que já foi procurado por clubes que disputarão o Brasileirão deste ano, mas esperará o fim do torneio regional para decidir sua situação. O técnico tem contrato com o Audax somente até o término do Paulistão.

– Já teve sondagem, mas não abri negociação com ninguém. Primeira pessoa que vou ouvir é o senhor Mario Teixeira (dono do Audax). Tenho um vínculo e compromisso moral muito mais importante do que o compromisso formal. A gente vai se entender independentemente do que acontecer no Paulista. Em relação a assédio, estou muito tranquilo, só penso em Audax – conta.

– Não recebi nenhum contato. Os caras não ligariam para mim, vão ligar direto para ele – disse Vampeta, presidente do Audax.

A procura de clubes por reforços não esbarra somente no treinador. Jogadores do Audax também estão sendo sondados nessa reta final do Paulistão. Diniz confia na maturidade do elenco para não perder o foco. No ano passado, o técnico também conviveu com o assédio aos seus atletas, mas faltou controle para conseguir, ao menos, levar o Audax além da fase de grupos.

– Este ano (o assédio) não me preocupa em absoluto. Ano passado tivemos problemas por causa disso. Um deles foi o Rafael Longuine, que hoje está no Santos. Era uma situação muito nova para ele, acabou estourando muito rápido. No meio do campeonato, ele já tinha nove gols. Estava se destacando, muito assédio de imprensa, de times, e isso acabou atrapalhando um pouco. Esse time é mais maduro, o time foi crescendo junto com a competição. Chega para decidir de maneira sólida.

O sucesso com o Audax fez a rotina de Diniz ser alterada até dentro de casa. Pai de quatro filhos, sendo que dois deles (Felipe, de 14 anos, e Diego, de 10) estão nas categorias de base do Juventus, o treinador não poderá fazer o que sempre faz com a família quando está em casa, afinal o foco é total na final do Paulistão.

– Sou paizão, maridão, sou muito participativo. Faço questão de acordar às 5h30 para preparar o café da manhã dos meus quatro filhos, levo-as para a escola. O caminho natural é eles seguirem no esporte, já que tem muita informação por conta do pai, mas também são bons na escola. Se o futebol não for a de ninguém, vão ter carreira sólida. É o que pai quer – finaliza Fernando Diniz.

*Colaborou sob a supervisão de Leandro Canônico.

Fonte: Ge