quarta-feira , agosto 15 2018

Soja: Bolsa de Chicago mantém foco sobre a demanda e dá continuidade às altas nesta 6ª

Os principais contratos da commodity subiam, por volta das 7h30 (horário de Brasília), de 7,25 a 7,50 pontos

Os preços da soja continuam subindo nesta sexta-feira (14) na Bolsa de Chicago. Os principais contratos da commodity subiam, por volta das 7h30 (horário de Brasília), de 7,25 a 7,50 pontos. Com isso, o novembro/16 já vinha superando os US$ 9,60 por bushel, enquanto o maio/17 chegava aos US$ 9,84.

O mercado viu as cotações testarem patamares mais baixos nas últimas sessões, com valores atrativos para os compradores – com o primeiro vencimento próximo dos US$ 9,40 – o que ajudou, na sequência, as mesmas voltarem a subir e renovar alguns ganhos.

“Os números não conseguem ficar muito tempo abaixo disso porque o mercado se torna muito comprador e os vendedores desaparecem. Logo, o mercado reverte para cima. A janela do mercado está apertada e ele não tem muito fôlego para ir além disso”, explica o consultor Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting.

Além dessa movimentação técnica, a demanda ainda atua como principal fator de suporte para a oleaginosa na CBOT e limitador das baixas quando elas acontecem. Os embarques semanais norte-americanos de soja vieram bastante fortes em um reporte divulgado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) na última terça (11), somando mais de 1,8 milhão de toneladas. Ao mesmo tempo, o órgão já anunciou, somente nesta semana, vendas extras de 356 mil toneladas.

E nesta sexta, o USDA traz ainda o novo boletim semanal de vendas para exportação, outro importante indicativo da demanda. Na semana anterior, as vendas vieram fortes, elevando o total comprometido da soja americana para mais de 28 milhões de toneladas da safra 2016/17.

Veja como fechou o mercado nesta quinta-feira:

Soja reverte movimento negativo em Chicago e fecha em alta com suporte do trigo e da demanda

A direção para os preços da soja negociados na Bolsa de Chicago mudou no final da sessão desta quinta-feira (13) e a commodity terminou o dia em campo positivo, registrando ganhos mais de 10 pontos nos principais contratos. O vencimento novembro/16, assim, recuperou os US$ 9,50, fechando com US$ 9,56 por bushel, enquanto o maio/17, referência para a safra do Brasil, foi a US$ 9,78. Nas máximas do dia, os contratos bateram em US$ 9,59 e US$ 9,80, respectivamente.

O mercado na CBOT viu os preços subirem diante de um movimento de compras de posições por parte dos fundos investidores, os quais parecem ter deixado de lado a pressão da entrada da nova safra norte-americana, como explica a analista de mercado Andrea Sousa Cordeiro, da Labhoro Corretora. E a movimetação, ainda segundo ela, esteve atrelada ainda ao caminhar dos preços do trigo, que subiram muito forte nesta quinta.

“O trigo subiu muito, com a expectativa por demanda para o produto norte-americano. E o trigo dos EUA é o mais competitivo hoje no mundo para a logística Egito/Arábia Saudita. Assim, com as baixas observadas nesta quarta e quinta, na soja e milho, os fundos voltaram a comprar, apostando numa nova rodada de posições. E o ponto de compra dos fundos foi sequencial com as compras do trigo”, explica.

No entanto, os fundamentos próprios da soja na demanda também foram importantes para o avanço das cotações. Nesta quinta, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) anunciou novas vendas de 246 mil toneladas da oleaginosa em grão – sendo 115 mil para destinos não revelados e 126 mil para a China – e mais 126 mil toneladas de farelo, notícias que foram muito bem recebidas pelo mercado.

E as notícias positivas sobre a demanda não param por aí. Em seu reporte mensal de oferta e demanda divulgado nesta quarta pelo USDA, as exportações norte-americanas da temporada 2016/17 foram revisadas para cima, podendo superar as 55 milhões de toneladas. A mudança acabou sendo mais um fator positivo para os futuros da oleaginosa e ajudou a amenizar a pressão do aumento da safra dos EUA para mais de 116 milhões de toneladas e os estoques finais do país podendo alcançar 9,93 milhões.

Ainda nesta quinta, a Administração Alfandegária da China informou que, em setembro, o país importou 7,19 milhões de toneladas de soja. O volume, apesar de ser 1% menor do que o registrado no mesmo período de 2015, superaram as expectativas do mercado que eram de 6 milhões. Além disso, o volume importado no acumulado do ano comercial, de janeiro a setembro – 61,19 milhões de toneladas – apresenta uma alta de 2,6% em relação ao mesmo intervalo da temporada anterior.

“Acredito que a demanda segue bem firme, bem sustentada, sem nehnhum percalço. E precisamos acompanhar os embarqes nos EUA, agora que a safra nova já está sendo disponibilizada, o que pode resultar em uma aceleração nos embarques”, explica Camilo Motter, economista e analista de mercado da Granoeste Corretora de Cereais.

Principalmente o volume acumulado das importações chinesas foi muito bem recebido, uma vez que, no quadro geral, as importações e exportações da nação asiática não tiveram um bom desempenho, segundo explicam especialistas. Enquanto o mercado esperava um aumento de 1% nas importações, houve um recuo de quase 2%.

Ainda segundo Andrea, as commodities foram beneficiadas também pela baixa do dollar index nesta quinta-feira. Os ganhos não foram registrados só pela soja, mas milho e trigo subiram forte e terminaram o dia subindo, respectivamente, quase 4% e 5% na Bolsa de Chicago. Em Nova York, os futuros do café, do algodão e do petróleo também encerraram seus negócios em campo positivo. Os futuros do farelo de soja, também negociados em Chicago, encerraram o pregão com altas de mais de 2%. “O recuo [do dólar] contribuiu para uma maior competitividade das commodities. O dólar ficou boa parte do pregão com desvalorização de 0,18% a 0,19% e intensificou sua queda para 0,40%”, diz a analista da Labhoro.

O reporte semanal de vendas para exportação que é, tradicionalmente, divulgado pelo USDA às quintas-feiras foi adiado, nesta semana, para sexta (14), devido ao feriado de Columbus Day, comemorado na última segunda (11) e quando os órgãos governamentais não trabalharam.

Mercado Interno

Os preços da soja, nesta quinta-feira, registraram novas baixas em algumas das principais praças de comercialização e, nos portos – onde chegaram a perder mais de 1% ao longo do dia – terminaram o dia com estabilidade. Embora as cotações da oleaginosa reverteram o movimento negativo em Chicago e fecharam os negócios com boas altas, o dólar voltou a cair frente ao real, ficando abaixo dos R$ 3,20.

Nas praças do Rio Grande do Sul – Não-Me-Toque e Panambi, baixas de 0,75% e 0,81% – nas do Paraná – Ubiratã, Londrina e Cascavel – queda de 0,76%. Em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o recuo foi mais intenso e passou de 1% em algumas localidades. As referências nos principais estados produtores, portanto, variam ainda entre R$ 65,00 e R$ 75,00 por saca.

O momento, portanto, permanece sendo de ritmo lento para a comercialização da oleaginosa brasileira. “O mercado é típico de entressafra, com poucos vendedores, compradores internos atuando mais para atender o consumo de farelo e óleo. Do lado da safra nova, sem interessados em vender, porque os produtores fizeram bons volumes e nos momentos em que os indicativos estavam fortes entre maio e junho”, explica Vlamir Brandalizze, consultor da Brandalizze Consulting.

Fonte: Portal do Agronegócios

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