quarta-feira , maio 23 2018

O guri que ‘venceu’ cabo Bazzano!

A data correta eu não sei; deve estar descansando em mim, em algum espaço destinado a saudades e as boas histórias. Mas sei que era um dia bonito, especial, daqueles que movimentam e mobilizam qualquer pequena cidade. E Bela Vista não foi diferente naquele dia. E para Edilson (acho que esse era seu nome), era o dia de fazer história, de ser eternizado e ovacionado como sonham os grandes heróis do esporte. Era dia de CORRIDA na cidade.
No entanto, como se não bastasse à dificuldade em vencer qualquer corrida, o seu maior desafio, ainda, seria desbancar Cabo Bazzano, um verdadeiro papa-tudo das corridas bela-vistenses. Era ‘o cara’ a ser batido. E aquele dia seria mesmo inesquecível. De canelas finas, sorriso de vencedor, Edilson acordou já ao lado do seu uniforme. Ansioso, sentou-se na cama, se esticou, escovou os dentes, engoliu qualquer coisa e partiu para o grande evento de sua vida.
Guri arteiro, gente boa, ele perambulava peraltices pelas ruas e trilheiros bela-vistenses. Um sonhador! Seu único compromisso era com a irresponsabilidade da idade. E assim, volta e meia se metia a correr; dizia ser atleta. E fôlego dos poucos anos de vida não lhe faltava. E o grande momento estava chegando; pouco antes da largada ele fixou o número na camiseta e se certificou de estar com as fichas em mãos para entregar aos fiscais durante o percurso.
Pronto. É dada a largada. Começa a corrida e as primeiras páginas de uma chegada que virou história! Era mesmo o dia de Edilson. Tudo parecia conspirar a seu favor. E mesmo se não estivesse muito favorável, ele tratava de mudar! E assim, passado certo tempo da largada, tempo suficiente para alguém despontar no horizonte rumo a vitória, eis que surge Edilson, a cerca de 200 metros. Passos firmes, braços levantados e um eufórico ‘V’ na mão direita, ele surge, imponente, distribuindo fôlego a atravessar a Linha de Chegada.
No entanto, o tempo entre comemoração e frustração não durou mais do que um abraço de um amigo sincero a um vencedor de mentira. A verdade chegou um passo atrás, mas também chegou. E passou tudo a limpo. E o dia de Edilson realmente foi inesquecível; ele fez história. Se o final foi feliz ou infeliz, depende de cada interpretação. Assim como a dúvida se essa história é real ou foi imaginação de algum jornalista.
O fôlego de Edilson, que tanto sobrou, contrastou com as fichas que faltaram ser entregues aos fiscais, assim como parte do percurso ‘cortado’ e diminuído por um atalho companheiro, e uma rápida carona na garupa de uma bicicleta amiga! E assim, Edilson finalmente desbancou o então invencível Cabo Bazzano. Ele venceu e convenceu; mesmo que tudo tenha acontecido apenas no tempo e no espaço de um bom sonho!
(Josyel Ribeiro Carvalho)

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