sexta-feira , novembro 24 2017

O CRAQUE QUE EU NÃO FUI!

Hoje, ao encerrar a carreira que eu não tive, num jogo de despedida do atleta que eu não fui, um atleta que eu nem conheci, num estádio lotado pelo vazio e que ainda ecoa o meu nome em silêncio, agradeço a Deus pelo enorme privilégio que eu não tive.

Recordo-me agora das artilharias que não disputei, do bom exemplo que não fui, dos gols que eu não marquei, dos passes que eu não dei, dos dribles que não criei, e das jogadas espetaculares que eu sequer participei.

Ah, foram tantos os títulos que eu não disputei! Lembro-me de quantos jovens que não gritaram meu nome e eu não influenciei. As camisas que eu não autografei; as entrevistas que eu não dei; as viagens que eu não fiz; as provocações que sequer existiram.

Foram tantos os clubes que eu nem passei, tanto quanto os contratos que eu não cumpri. As contusões que eu não tive; os companheiros que nunca existiram; as propagandas que eu não fiz e o dinheiro que eu não ganhei. Ou seja, encerro hoje uma história que jamais existiu, mas, graças aos dribles de algumas letrinhas, pôde muito bem ser inventada.

Josyel Ribeiro Carvalho

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