sexta-feira , agosto 17 2018

Bela-vistense Ney Matogrosso completa 75 anos nesta terça

Ney Matogrosso é prova viva de que um bom intérprete pode fazer toda a diferença na apresentação de uma canção. Com uma voz marcante e movimentos cheios de personalidade em cima de um palco, o cantor que nasceu em Bela Vista, em Mato Grosso do Sul, arrebatou o público logo que apareceu em cena nacional, em 1973, como integrante do revolucionário grupo Secos & Molhados (ao lado de Gérson Conrad e João Ricardo).

Mas nem tudo foram flores no começo. Filho de militar, o cantor passou a infância e a juventude entre cidades como Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, onde iniciou sua vida artística participando de concursos de calouros num parque de diversões de Padre Miguel.

SECOS E MOLHADOS

A carreira meteórica do trio original, que se dissolveu um ano mais tarde, deixou dois álbuns e diversos sucessos, como “O vira”, “Sangue latino” e “Rosa de Hiroshima”. A trajetória do primeiro disco, que foi lançado em 1973 e levava o nome do grupo, surpreendeu até os próprios integrantes: foram vendidas 300 mil cópias no dois primeiros meses. No total, mais de um milhão.

CARREIRA SOLO

Em 1975, consagrado por sua magnética presença de palco — com direito a figurinos exóticos e maquiagem carregada — e pela marcante voz aguda, o vocalista lançou seu primeiro trabalho solo, “Água do céu – Pássaro”, no qual gravou canções como “O corsário” (João Bosco e Aldir Blanc), “Bôdas” (Milton Nascimento e Ruy Guerra) e “América do Sul” (Paulo Machado).
No ano seguinte foi lançado o LP “Bandido”, composto por músicas de nomes como Gilberto Gil, Odair José e Rita Lee, que escreveu “Bandido corazón”, o grande hit do disco.
DEZ ANOS, EM MONTREUX

Depois de gravar álbuns pelas gravadoras Continental, WEA e Ariola, Ney celebrou dez anos de carreira com sua primeira turnê pela Europa, em 1983, quando participou do Festival de Montreux, na Suíça. No mesmo ano saiu o disco “Pois é”, pela Polygram, no qual o artista-camaleão canta obras tão diversas quanto a canção título, de John Neschling e Geraldo Carneiro, “10 anos… pout-pourri”, com seus principais sucessos, “Me abrace mais” (Jorge Aragão) e “Pro dia nascer feliz” (Frejat e Cazuza). No vídeo abaixo, o cantor interpreta “Andar com fé”, de Gilberto Gil.

ROCK IN RIO

Em 1985, Ney foi o responsável pelo show de abertura do primeiro Rock in Rio. Sob vaias e ataques de ovos cozidos de parte do público, que aguardava bandas internacionais como Whitesnake, Iron Maiden e Queen, ele abriu a apresentação com “América do Sul”. Como um verdadeiro rock star, o cantor fez um enérgico set de uma hora, chutando de volta os ovos que lhe atingiam.
DE CARA LIMPA

Dois anos mais tarde, o inclassificável artista deu uma guinada radical em sua trajetória no show “Pescador de pérolas”, que rendeu um disco homônimo ao vivo. Acompanhado por uma superbanda, que contava com Arthur Moreira Lima (piano), Paulo Moura (Saxofone), Raphael Rabello (violão) e Chacal (percussão), Ney, sem maquiagem e vestindo um sóbrio paletó branco, passeou por canções de Cartola (“O mundo é um moinho”), Dorival Caymmi (“Dora”) e Antonio Carlos Gomes (“Quem sabe”), entre outros.
VILLA-LOBOS, ÂNGELA E CHICO

Após gravar álbuns como “A floresta do Amazonas de Villa-Lobos” (1987), com Wagner Tiso e João Carlos Assis Brasil, e “À flor da pele” (1990), com Raphael Rabello, Ney lançou o CD “Estava escrito” (1994), composto por canções do repertório de Ângela Maria, e “Um brasileiro” (1996), no qual interpreta músicas de Chico Buarque, como “Até o fim” e “Construção”, no vídeo abaixo.
UM QUARTO DE SÉCULO

No ano 2000, Ney comemorou 25 anos de carreira solo no CD e DVD “Vivo”, do show “Olhos de farol”, com um apanhado de faixas que haviam marcado sua trajetória até o momento, como “Poema” (Cazuza e Frejat), “Homem com H” (Antonio Barros), “Metamorfose ambulante” (Raul Seixas) e “Balada do louco” (Rita Lee e Arnaldo Baptista), além de clássicos da época de Secos e Molhados.
ANOS 2000

Os anos 2000 foram de muito trabalho para o cantor, que lançou quatro CD’s ao vivo, além dos elogiados discos “Batuque” (2001), “Ney Matogrosso interpreta Cartola” (2002), “Vagabundo” (2004), ao lado de Pedro Luís e A Parede, e “Beijo bandido” (2009).
‘ATENTO AOS SINAIS’

O mais recente trabalho de estúdio de Ney Matogrosso é “Atento aos sinais” (2012). Comprovando sua natureza inquieta, o cantor selecionou um repertório que mescla obras de compositores consagrados, como Paulinho da Viola e Arnaldo Antunes, e canções de nomes da nova geração, como Criolo, Dani Black e Rafael Rocha. Em recente entrevista para O GLOBO sobre a turnê do disco, que rendeu um álbum ao vivo e já está em seu quarto ano — a mais longa de sua carreira —, o artista afirmou que ainda tem muita lenha para queimar: “Tenho um longo caminho para percorrer. O que me motiva é esse contato com o público. Eu dou o chute inicial e a coisa volta e faz um círculo. A troca é completa.”

 

Fonte: midiamax.com.br

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