domingo , agosto 19 2018

Aquário do Pantanal apodrece e Estado adia solução definitiva

Dados revelam que seriam necessários R$ 71,4 milhões para finalizar obra

Idealizado para ser o maior viveiro de água doce do mundo, o Centro de Pesquisa e de Reabilitação da Ictiofauna Pantaneira de Mato Grosso do Sul, o Aquário do Pantanal, está se deteriorando enquanto o governo do Estado não toma decisão efetiva para salvar o empreendimento, cujo saldo contratado chegava, em 2015, a R$ 200,05 milhões.

O Executivo insiste em manter investimento único de R$ 38.774.445,45 para terminar as obras. No entanto, planilhas da própria Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) anexadas a processo relativo à Egelte Engenharia – que começou a construção em 2011 –, já encerrado, revelam que o custo real para concluir o empreendimento é de R$ 71.481.233,36. Perícia marcada para semana que vem pode resultar em valor ainda maior para a finalização.

Tal valor foi computado em 2016, depois que a empresa entrou com ação – em 2015 – para encerrar o contrato com o governo do Estado. O montante inclui os serviços que a Egelte deveria realizar, assim como as outras duas empresas que atuavam na obra: Fluidra (suporte à vida dos animais) e Climateck (climatização).

Nesse total, também estavam contabilizados os retrabalhos, ou seja, os serviços perdidos ao longo do tempo em decorrência da paralisação da obra e que precisariam ser refeitos. O valor de R$ 18.413.693,96, presente na planilha ao lado, provavelmente seria para tais ações.

Especialistas ouvidos pelo Correio do Estado, que não quiseram se identificar, afirmam que os R$ 38,7 milhões definidos pelo governo estadual, em fevereiro deste ano, são insuficientes para terminar a obra.

Acordo assinado entre o Executivo, Ministério Público Estadual (MPMS) e Tribunal de Contas do Estado (TCE) foi encaminhado ao Tribunal de Justiça para ser homologado, mas teve parecer negativo. O processo está em fase de recurso.

“Imagine um carro de alto valor, que está parado no tempo, abandonado sem funcionar, sem manutenção.

O que acontece? A cor acaba sendo afetada pelo sol, peças vão se desgastando, logo ele não serve para nada, a não ser que passe por uma reforma completa. A mesma coisa é o Aquário do Pantanal. Muita coisa de alto valor foi deteriorada em virtude do tempo, precisa ser trocada, por isso pode ter certeza de que vai ficar mais caro”, afirma um dos especialistas.

O desgaste e a necessidade de utilizar um material específico na construção também encarecem a obra. “Usar a variação do dólar para justificar  a variação no custo é válido, porque há muito material importado lá. Os materiais internos do Aquário, tirando concreto, aço, pedra e areia, o resto é material importado.

Para se ter uma ideia, o acrílico que vai nos tanques só é produzido no Canadá. Não tem no Brasil, não tem na Europa, nenhum outro local faz aquilo. Algumas placas foram feitas na Bélgica, uma série de materiais foi feita sob encomenda nesse projeto e, agora, muito deles estão danificados. Vai custar caro repor tudo isso e ainda contratar mão de obra. Suponho que seja R$ 50 milhões acima”, explica um dos profissionais.

O paralelo que um dos engenheiros faz é que, se o governo tivesse tomado medidas em 2015, rescindido contrato com a empresa que abandonou a obra na época e promovido uma nova licitação, o Aquário já poderia estar sendo inaugurado.

“Mas isso não foi feito. Todo trabalho de ambientação está lá no tempo, naturalmente está se deteriorando, não houve revestimento, não houve acabamento. Isso é um trabalho muito caro, trabalho artístico, quando for recompor, o responsável vai cobrar muito mais. É uma obra sui generis, não dá pra fazer paralelo, é diferente de qualquer outra”, diz outro especialista.

 

Fonte:  correiodoestado

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