Bela Vista: Fronteiriço mantém tradição da chipa e sopa paraguaia na Semana Santa

Foto: Marcio Cabreira

Em Mato Grosso do Sul, estado que concentra a maior colônia paraguaia do Brasil, os imigrantes lutam para manter vivas suas tradições culturais e religiosas. Uma das principais é a do consumo na quinta e na Sexta-Feira Santa de apenas dois tipos de alimentos, a sopa paraguaia, um bolo salgado feito de fubá e queijo, e a chipa, que é similar ao pão de queijo.

A proximidade física na fronteira Bela Vista \ Bella Vista Norte com o Paraguai, mantem viva a tradição.

Em razão da integração e miscigenação que ocorrem naturalmente desse processo, o maior desafio é preservar as tradições culturais do país vizinho.

A sopa paraguaia e a chipa tem que ser feitas até o meio dia da quinta. Depois não se pode fazer mais nada. A Sexta-Feira Santa e consagrada. Não pode pentear o cabelo, colocar um calçado, limpar a casa e as crianças não podem nem brincar. Hoje, entre os paraguaios e os descentes que vivem em Mato Grosso do Sul, a maioria das tradições se perdeu, mas na fronteira se mantem viva essa opção do consumo da sopa e da chipa.

A produção de sopa e chipa segue todo um ritual. As receitas das iguarias,  vem sendo passadas de mãe para filha na família de geração em gerações. “As receitas são as mesmas que todos aprendem com a avo, com a mane, e assim por diante. É lógico que sofreram algumas alterações. Na chipa, colocáva banha de porco no tempo antigo, hoje, muitos usam manteiga. O queijo tinha que ser ralado ou cortado na hora. Atualmente já pode comprá-lo ralado. São facilidades que estão sendo adotados”.

Comenta que geralmente na quarta-feira é feita a chipa, que tem maior durabilidade, de até uma semana, e na quinta pela manhã é preparada a sopa paraguaia, que pode ser consumida no máximo até três dias depois de ser preparada. Os dias em que as iguarias estão sendo produzidas são de intensa movimentação de parentes. “É uma tradição. Todos da família vão provar nem que seja um pouquinho. E na Sexta-Feira Santa, se a família vai visitar amigos é costume levar um pouco da sopa e chipa que fez para trocar com eles”.

Outra tradição é a de não acender fogo depois do meio dia de quinta-feira. “Tudo o que se come tem que estar pronto antes. Se receber alguma visita, café nem pensar em fazer. Pode servir no máximo um suco, que já tem de estar pronto”.

Maior colônia
Mato Grosso do Sul, conforme dados da Secretária Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), tem 1.131 quilômetros de fronteira com o Paraguai. Desse total, 434 quilômetros são de fronteira seca, em que o território brasileiro é delimitado do paraguaio apenas por marcos de concreto.

Oficialmente, o Consultado do Paraguai em Campo Grande, aponta que residem no estado mais de 4.317 cidadãos paraguaios, mas a Associação Colônia Paraguaia da capital estima que o número seja bem maior, calculando que morem somente na cidade, entre descendentes e imigrantes, 90 mil pessoas. (Texto adaptado)

 

Ademir Mendonça – Fronteira News