‘BBB21’ termina amanhã com recordes de rejeição e discussões sociais

Fiuk, Juliette e Camilla de Lucas, finalistas do 'BBB 21' - Crédito: Reprodução/TV Globo

Em quase 100 dias de duração, o “BBB21” proporcionou um turbilhão de emoções ao público brasileiro com muito choro, beijos e barracos, mas também com discussões sérias sobre racismo, colorismo e discriminação.

A edição mais longa do reality acaba nesta terça-feira, dia 04 de maio e deixa a televisão com uma série de recordes, um spin-off de uma das participantes mais polêmicas do “BBB” e com picos de audiência que não se viam desde a primeira década do programa.

O “BBB21” foi a edição com o maior número de participantes autodeclarados negros (9): Karol Conká, Camilla de Lucas, João Luiz, Lucas Penteado, Lumena, Nego Di, Pocah, Projota e Gilberto. Foi também onde os debates sobre negritude, cor, autoafirmação e racismo mais surgiram.

‘Respeita nosso cabelo’

Durante um dos castigos do monstro, Rodolffo comparou uma peruca de homem das cavernas ao cabelo do professor João Luiz. “A gente está com o cabelo quase igual ao do João”, ele disse.

Em um jogo da discórdia, João se emocionou muito ao apontar que a fala de Rodolffo tinha sido racista. O apresentador Tiago Leifert, depois de encerrar a votação que eliminaria o cantor, conversou com a casa para explicar que mesmo “brincadeiras” podem ser ofensivas e contar como o “black power” virou símbolo de resistência.

Rodolffo foi eliminado em um paredão na mesma semana, e a Secretaria de Polícia Civil do Rio de Janeiro abriu um procedimento para investigar se houve crime de preconceito racial cometido na ocasião.

Colorismo

O economista Gilberto Nogueira se declara negro. No entanto, outros participantes da casa consideraram que ele tem a pele “clara demais” para se autoafirmar como tal. O tema foi assunto em rodinhas dentro do reality e em centenas de publicações fora dele.

Diante da repercussão, a família de Gilberto disse que o economista “se declara, se considera e se reconhece como negro”. A mãe dele contou que Gil foi agredido pelo pai na infância por ter o tom de pele mais claro. “O pai achava que ele não era filho dele. Com isso, ele também apanhava e sofria perseguição”, disse Jacira.

Mais uma vez a edição precisou intervir e explicar o conceito de colorismo (os diferentes tons de pele e fenótipos) e a importância da auto declaração racial ao vivo.

O Big dos recordes

Faz três anos que o “Big Brother Brasil” vem quebrando seus próprios recordes de votação, o que mostra como o programa vem crescendo. Neste ano, o paredão entre Arthur, Camilla de Lucas e Pocah bateu recorde de votação simultânea por minuto: 3,6 milhões.

Mas houve outros três recordes não tão positivos: Karol Conká, Nego Di e Viih Tube se tornaram os participantes mais rejeitados de todas as edições do reality. Veja como foram os paredões e as porcentagens de cada um:

O ator Lucas Penteado foi o protagonista das primeiras semanas de edição e muitos eliminados saíram pelo jeito que o trataram. O ator pediu para sair do jogo na segunda semana de programa por uma série de eventos:

Na segunda festa, ele brigou com vários participantes e ficou isolado;

Em um desses momentos, Karol Conká expulsou Lucas da mesa do almoço. A cantora xingou o ator e disse que queria jogar um copo de água na cara dele;

Na terceira festa, Lucas e Gilberto se beijaram no meio da pista de dança, e participantes disseram que o ator estaria usando a bissexualidade como estratégia de jogo;

No fim da festa, ele foi ao confessionário e pediu para deixar o reality show.

Quem tem medo do cancelamento?

As primeiras semanas do programa foram marcadas por um fantasma: o grande medo do cancelamento. A atitude pode ser um reflexo da edição passada, que deixou cancelados, investigados, mas também alavancou carreiras e deixou uma porção de influenciadores digitais.

Com níveis altíssimos de rejeição, alguns participantes foram mesmo cancelados, mas a vida e os trabalhos seguem.

Batom de cereja domina o Brasil

“Enquanto o som do paredão toca, cê gasta o seu batom de cereja / Eu bebo, cê beija, Eu bejo, cê beija”
O refrão chiclete de “Batom de cereja”, da dupla Israel e Rodolffo, pegou o Brasil: a música se tornou a mais tocada no ranking diário do Spotify no país e alcançou o top 100 global do serviço de streaming.

Mesmo com o grande número de cantores na edição, o que mais bombou foram as músicas fitas aqui fora, mas inspiradas nos participantes. Juliette foi a rainha das homenagens musicais, com funk, remix e forró feitos para ela.

Sotaque

No começo do jogo, a mistura de sotaques rendeu e muita gente achou que alguns brothers e sisters estavam forçando a barra para criar um personagem. Nesta edição do reality, Caio e Rodolffo chamaram atenção com um forte sotaque goiano, visto como caipira. E o sotaque paraibano de Juliette foi alvo de críticas na casa.

Mas as características do sotaque são parte importante da identidade de uma pessoa, da forma como as pessoas interagem e como são vistas por um grupo.

 

Fonte: douradosnews