Pandemia aumenta uso das tecnologias e especialista alerta sobre prejuízos físicos, psicológicos e mentais

Psicóloga diz que o excesso pode fazer as pessoas perderem a habilidade de conversar, interagir e viver em comunidade - (Reprodução)

Nos últimos anos, principalmente após a pandemia do coronavírus, a tecnologia se tornou uma ferramenta indispensável na vida de todos. Em tempos de distanciamento, ela facilitou a forma de trabalhar, estudar e de se comunicar, mas o excesso das telas digitais também tem seus prejuízos.

Pesquisa feita em 2020 pelo Centro de Tecnologia de Informação Aplicada (FGVcia) revelou que, até então, o Brasil tinha o total 424 milhões de dispositivos digitais em uso, entre computadores, notebooks, tablets e smartphones. Nesta mesma época, o Comitê Gestor de Internet no Brasil (CGI.br), divulgou a edição 2019 da pesquisa TIC Domicílios, cujos dados mostraram que 134 milhões de pessoas são usuárias da internet (74% da população com 10 anos ou mais).

É importante ressaltar que a internet também facilitou (e muito) o acesso à leitura de livros, jornais, revistas e materiais didáticos online. Com a crise ocasionada pela Covid-19, além do fechamento do comércio, muitas pessoas encontraram nos aplicativos de leitura digital uma forma fácil, prática e segura de se manterem atualizadas ou de fazerem o tempo passar mais rapidamente durante o isolamento social.

“A leitura digital, além de ser um meio mais seguro, pois evita a circulação do vírus, é muito mais prática, já que o usuário pode ler o conteúdo a qualquer hora e de onde estiver. Por isso, acreditamos que, mesmo com o fim da pandemia, a tendência é que as pessoas continuem consumindo livros, jornais e revistas por meio dos aplicativos”, afirma o Diretor da Verisoft, Renato Marcondes.

Mas cuidado…

A internet nos traz, ao mesmo tempo, comodidade, agilidade e entretenimento, mas o uso excessivo das ferramentas digitais pode gerar problemas significativos de saúde e de convivência social.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil é o terceiro País que mais fica online no mundo, o que significa uma média de 9h14min todos os dias. Com toda essa exposição, logo podem aparecer dores no pescoço, nas articulações, sobrecarga e problemas na coluna, prejuízos na visão, audição e pele (pela luz artificial). As consequências físicas se agravam no caso das crianças, já que o organismo ainda está em formação.

Além disso, o uso desenfreado tem prejudicado muito as relações sociais dos usuários. “A relação com a tecnologia é algo imediatista e está sob controle direto de quem a usa. E essa forma descartável, controladora e, de certa forma, superficial de se relacionar com esse “objeto”, pode passar a ser estendida (generalizada) aos relacionamentos interpessoais. Muitas pessoas não sabem mais se relacionar com algo concreto e fora de seu comando, e as experiências sociais, por si só, já geram ambiguidades de sentimento”, pontua a psicóloga de Campo Grande, Mariela Bailosa.

A psicóloga ressalta que as pessoas ficam cada vez mais eficientes em desenvolver e usar aplicativos, por exemplo, mas perdem a habilidade de conversar, interagir e viver em comunidade, o que resulta em cada vez mais baixa tolerância à frustração, maior nível de ansiedade ou até mesmo a depressão.

Mas como diminuir o contato com essa ferramenta? De acordo com Mariela, é possível começar esse detox digital devagar. “Comece registrando diariamente quantas vezes pegou no celular ou quanto tempo passou em redes sociais ou internet. Organizar a rotina é um caminho que também pode ajudar. Descubra outras fontes de prazer, pense nas suas prioridades, valorize as atividades em ambientes externos, pratique alguma atividade física, garanta tempo para se curtir sozinho, visite alguém, passe mais tempo com quem ama”, exemplifica.

E se tiver dificuldade para iniciar essa desintoxicação, se isso lhe causar algum sofrimento, talvez seja o momento de procurar ajuda profissional. O importante é você se desafiar, mudar um hábito e cuidar de você.

 

Fonte: midiamax.uol.com.br